UMAS E OUTRAS
22/08/2019 - Edição 196 - Ago/2019
Da Redação

PLANO DIRETOR E PLANO DE BAIRRO: O PARQUE IBIRAPUERA E NOSSO BAIRRO
A concessão do Parque Ibirapuera (PI), assim como a de todos os parques da cidade, foi idealizada pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) em 2017. Com isso, o PI foi colocado em um “pacote” com mais 5 parques, não tão atrativos do ponto de vista comercial, para ser administrado em conjunto por um período de 35 anos. Assim como cidades, nações, bairros e empresas, os parques necessitam de Plano Diretor, que como o próprio nome revela é um plano de diretrizes e metas estabelecidas que impõem sua concretização; elas devem apontar propostas e metas indutoras de desenvolvimento e preservação, embasadas em estudos técnicos e pesquisas de opinião junto à população. 
É fato que desde 2014 solicita-se um Plano Diretor do Parque Ibirapuera (PDPI), porém, desde então, ele foi negligenciado pelo poder público. Devido a iminência da concessão sem a existência de um PDPI atual, foi realizada uma ação judicial que não impediu a concessão, mas a condicionou à construção de um Plano Diretor de qualidade. Apresentou-se aí uma situação estranha, pois o Ibirapuera havia sido concedido, mas ainda não existia uma planificação de diretrizes. Na ocasião (08 de março de 2019) foi decidido em reunião que deveria ser realizado o PDPI, e a PMSP solicitou um prazo de 6 meses.
Frente a essa situação, cujo prazo de execução foi solicitado pela própria Prefeitura, iniciou-se o desenvolvimento do Plano Diretor pela SPParcerias (antiga SPNegócios). Ele foi apresentado em maio e o Conselho Gestor do Parque Ibirapuera (CGPI), cuja Associação de Moradores da Vila Mariana (AVM) faz parte como membro suplente na categoria Entidades, refutou-o devido sua baixa qualidade. O CGPI solicitou ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) que a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) protagonizasse a confecção da minuta do Plano Diretor, e foi enviado um esqueleto do que se entende ser um adequado documento ao Parque Ibirapuera, além de salientar a necessidade de pesquisas de opinião junto à população e funcionários, e a realização de fóruns temáticos, onde se discutiriam as metas a serem impostas nas diferentes áreas de abrangência do Parque. 
Foi fornecida uma lista com 75 especialistas que poderiam contribuir nestes fóruns. A SVMA iniciou os trabalhos, com um prazo inferior a três meses de entrega, e, apesar de divulgar que atendeu às solicitações do CGPI, não o fez a contento. As pesquisas de opinião foram mal divulgadas e feitas ao final do processo, sem especificar o que o cidadão quer para o futuro do Parque. Os três dias de oficinas também não foram divulgadas corretamente, e o Plano Diretor foi apresentado no dia 5 de Agosto, sem a realização dos fóruns temáticos, que foram agendados para depois dessa entrega. Ou seja, há um documento que está sob consulta pública e ele ainda poderá ser mudado pelas resoluções advindas dos fóruns.
Especificamente sobre o Plano Diretor apresentado, ele está melhor construído que a primeira versão, mas é mais um Plano de Gestão e Regramento, pois não apresenta metas claras com prazos pré-determinados de forma explícita. Ora, trata-se da “esmeralda” da Cidade de São Paulo! Está aí uma excelente oportunidade para se impor prazos que resultem numa efetiva melhoria na qualidade do Parque. 
O exemplo do tema da água, cujo o próprio Governo do Estado estuda a possibilidade de limpeza do Rio Pinheiros, e as águas dos lagos do Parque Ibirapuera, que vão desaguar neste rio, estão poluídas! Essas são oriundas das nascentes em nosso bairro, e percorrem um caminho menor que 1,5 km até os lagos. Por que não estabelecer um prazo para despoluição de toda a Bacia Hidrográfica do Sapateiro, também chamada de Bacia da Vila Mariana. 
Os rios que compõem essa bacia são o Sapateiro (nascente na Sud Menucci), o Boa Vista (nascente na região do Metrô Paraíso) e o Guariba (nascente na região da Praça Arquimedes Silva, na Rua Fabrício Vampré). 
O Sapateiro passa por uma comunidade carente na Rua Maestro Callia, onde o esgoto não é tratado e se mistura às águas pluviais. Como não agir com essa parcela da população que mais necessita de cuidados? Não adianta realizar a limpeza na usina de tratamento localizada no próprio Parque. É um trabalho inócuo de “enxugar gelo”! Há a oportunidade do início de mudança de paradigma na questão ambiental das águas na cidade. Pode-se realizar a abertura de trechos desses rios para sua oxigenação, pois estão tubulados em toda sua extensão. Há resquícios destes rios abertos até a década de 60, que são observáveis no território do bairro da Vila Mariana. Então, a limpeza do lago, e do próprio Rio Pinheiros, passa pela limpeza dos seus formadores. O início emblemático pode ser aqui e seu pontapé inicial no Plano Diretor do Parque Ibirapuera. Coragem para se impor metas, mesmo que dependam legalmente da SABESP. A população não consegue cobrar a SABESP, mas sim os agentes do Poder Executivo. Necessita-se de ações coordenadas com todos os agentes envolvidos na questão da água. Ações inclusive que passam pela substituição paulatina das calçadas, por aquelas com capacidade de absorção da água, sem rejunte, o que alimentaria o lençol freático da Bacia.
No quesito fauna e flora, o Plano Diretor apresentado não ousa  definir a necessidade de plantio de mais árvores que sejam atrativas à avifauna de Mata Atlântica e Cerrado, biomas característicos da nossa região paulistana. O próprio CADES Vila Mariana realiza o plantio dessas espécies no entorno do Parque, sendo realizado em dois anos consecutivos na data do Plantio Global. Por que também não ousar e pensar em corredores verdes dessas espécies nativas que liguem os parques municipais aos Parques da Serra da Cantareira e Serra do Mar, limítrofes ao nosso município? O início do corredor, mais uma vez pode ser aqui, ligando o Ibirapuera e o Parque da Aclimação, cujo lago está secando, e cujos rios que o alimentam também têm suas nascentes no espigão da Paulista, na vertente Norte, também em nosso bairro, graças às condições geológicas locais.
Assim como a necessidade do Plano Diretor para o Parque Ibirapuera se mostrou preponderante, para que haja ações de continuidade, independente dos governantes, urge a necessidade de um Plano de Bairro para a Vila Mariana, antes que sua ambiência seja destruída ao bel prazer dos interesses pessoais em detrimento dos interesses coletivos.

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