ENTREVISTA
- Edição 70 - Mar/2008
Denise Delfim

REGINA MOTTA

Ela é uma das pioneiras no país no ensino e tratamento homeopático de cães e gatos, a médica veterinária da clínica Homeopatas sobre saúde, comportamento e sobre a importância de um pet nos tratamentos terâpeuticos. Autora de dois livros: Nosso Filho, o cachorro  e Meu irmão o cão, há cinco anos uniu seu “olho clínico” ao hobby de fotografar e somou outra profissão: a de fotógrafa especializada em animais. Seu trabalho está estampado nas embalagens de algumas das rações mais vendidas no país!

Pedaço da Vila:  Porque ter um animal de estimação?

Regina Motta: Os motivos são muitos, mas sem dúvida alguma, o desejo de dividir ou preencher nossas vidas com um companheiro de quatro patas é o grande campeão. Fonte inesgotável de afeto explícito, cães e gatos possuem uma enorme capacidade de dar e receber carinho, virtude não muito freqüente entre nós, seres humanos. Os noticiários não se cansam de divulgar o aumento constante do número de pets  nos lares de todo o Brasil.  Chegar em casa e ser recebido com uma  entusiasmada demonstração de alegria é muito gostoso. Sair para uma caminhada levando ,ou sendo levado, pelo cão é estimulante. Fazer novos amigos durante o passeio agrada tanto aos cachorros como aos humanos. Conhecer e fazer parte do misterioso mundo dos gatos, certamente nos fará aprender com eles. Aprender que alongar-se é praseiroso e faz bem, relaxar é fundamental, e sobretudo, estar atento e saber dar o bote na hora certa é o grande segredo do sucesso. Cães e gatos, cada um à sua maneira, são excelentes companheiros. Se você ainda não experimentou,  eu recomendo !

 

P.daVila:  Qual a melhor idade para uma criança ganhar uma animal de estimação?

Regina Motta: Não podemos estabelecer uma regra, pois a decisão de dar um animalzinho para uma criança depende de muitos fatores. Muitas crianças já nascem com um cão ou um gato em sua casa. Na grande maioria dos casos, vemos que a convivência entre eles é muito harmoniosa. Os cães adoram desempenhar o papel de verdadeiras babás, avisando aos pais quando o bebê está chorando ou mesmo se está em perigo. Ouvi diversos relatos de crianças que deram seus primeiros passos com a ajuda do cachorro, segurando e apoiando-se neste paciente amigão.

Quando planejamos presentear uma criança com um animalzinho de estimação, devemos levar em conta a idade desta. Entre 1  e 4 anos de idade, devemos ter muito cuidado com o bem estar do pet , principalmente se for um filhote. Nesta fase as crianças poderão deixá-lo cair do colo, ou brincar de maneira inadequada. Evite deixá-los à sós sem a supervisão de um adulto.

Para crianças com mais de 5 anos, devemos explicar-lhes a responsabilidade que é ter um bichinho de estimação. Que ele precisa de cuidados e que sua saúde depende de nós. Faça com que a criança participe das tarefas diárias e assim perceba a diferença entre seu companheiro e os brinquedos.

Para filhos únicos, a convivência com um cão é muito interessante, afirmam os psicólogos, pois ajuda a criança aprender a dividir atenções, carinhos e brinquedos.

Quando o computador entra na parada, nada como um cachorrinho brincalhão e esperto para fazer concorrência ao maravilhoso mundo virtual e tirar a criança da forte tendência  ao sedentarismo.

 

P.daVila: Qual o ambiente ideal para cada porte de cão?

Regina Motta: Cães precisam de espaço e exercícios. Com o crescimento das grandes cidades, é comum  vermos raças de grande porte morando em apartamentos. Devemos sempre ter bom senso e não confinar um cão grande dentro de um espaço que não lhe garanta conforto e segurança. Podemos sim criar um cachorro de grande porte dentro de um apartamento desde que ele tenha , pelo menos, dois passeio diários incluídos em sua rotina.

Por outro lado, raças pequenas e  delicadas não devem ser deixadas do lado de fora da casa , confinadas em um quintal, expostas à mudanças de tempo e privadas por longos períodos da companhia da família.

Ao adquirir um cãozinho , lembre-se de informar-se sobre seu tamanho quando adulto e se você terá condições de abrigá-lo com conforto.

Outro fator importante a ser avaliado nesta hora é o temperamento do cão. Cada raça costuma ter um perfil comportamental. Veja se ele combina com o seu ou com o de sua família. Tendo estes cuidados na escolha de um novo companheiro, certamente a convivência entre vocês será um grande sucesso.

 

P.daVila: Quais os alimentos prejudiciais à cães e gatos?

Regina Motta: Você já reparou como os gordinhos estão cada vez mais presentes no mundo cão? Esta é uma dura realidade, a obesidade vem crescendo também entre cães e gatos. Os responsáveis são os proprietários, que no intuito de agradar seus pets exageram na comida. Permitir que seu cão participe das refeições dando-lhe “só um pedacinho” do que quer que seja irá encorajá-lo a tornar-se um pedinte profissional. Uma bordinha de pizza, um pedacinho de pão de queijo, uma casquinha de pão, certamente contribuirão para uns quilinhos a mais na balança. A obesidade pode trazer graves conseqüências como o diabete, problemas de coluna, articulações, entre outros.

As alergias também podem ser provocadas por alimentos inadequados. A lista deles é enorme, por isto citaremos apenas os alimentos permitidos. Consulte seu veterinário sobre a ração ideal para seu cão ou seu gato. Atualmente os alimentos industrializados são especialmente formulados de acordo com o tamanho, a idade e muitas vezes a raça do animal. Siga sempre a tabela impressa na embalagem para saber a quantidade ideal a ser dada.  Caso opte por oferecer uma alimentação caseira, esta deve ser composta por carnes, arroz , legumes e frutas não ácidas. Todos os outros alimentos deverão ser evitados.

 

P.daVila: Quais as responsabilidades que envolvem ter um animal de estimação?

Regina Motta: Quando decidimos ter um cão ou um gato, devemos estar cientes de que esta escolha irá mudar nossas vidas pelos próximos quatorze anos ou mais.

Muitas vezes não resistimos a graça de um filhotinho , e por impulso, levamos ele para casa. É aí que mora o perigo. Esta atitude deve ser muito bem pensada. Os animais dependem única e exclusivamente de nós. Além de amor e carinho ,eles dão trabalho e despesas. É preciso avaliar se temos realmente tempo, vontade, espaço e condições financeiras de proporcionar-lhes uma vida digna e feliz.

Infelizmente, o abandono de animais ainda é uma triste realidade na cidade de São Paulo. É o reflexo da irresponsabilidade de proprietários que não respeitam a vida destes animais. Compram ou adotam por impulso e depois, diante da menor dificuldade largam estes bichinhos no meio da rua. São também irresponsáveis aqueles que deixam suas cadelas no cio escaparem e cruzarem. O resultado desta atitude é mais um monte de filhotes abandonados pela cidade. Castrar cães e gatos é uma atitude responsável que contribui bastante para a diminuição do número de animais abandonados.

 

P.daVila: Como a medicina alternativa beneficia cães e gatos?

Regina Motta: Como veterinária homeopata há mais de 20 anos, posso afirmar que a Homeopatia é uma excelente forma de tratamento. Costumo dizer que meus pacientes se dividem em dois grandes grupos : o primeiro é formado pelos animais que chegam ao consultório porque seus donos  se tratam pela homeopatia e querem o melhor tratamento também para eles. O segundo grupo é formado pelos proprietários desesperados que procuram o homeopata para solucionar problemas que, após inúmeras tentativas de tratamentos alopáticos (o tratamento convencional) ainda não obtiveram êxito.

Além de oferecer uma alternativa a mais de tratamento, a homeopatia está isenta de efeitos colaterais, fato este muito freqüente no mundo alopático. Não é raro lermos nos jornais que determinado medicamento está proibido porque desencadeou efeitos indesejáveis, muitas vezes levando pessoas à situações muito graves de saúde.

A grande proposta da homeopatia é tratar o organismo como um todo. Quando se medica visando eliminar simplesmente o sintoma, além da causa persistir, muitas vezes aparecem outros sintomas ainda mais graves.

Alguns têm receio de que a homeopatia seja muito lenta. Posso assegurar que isto é apenas uma lenda. O que ocorre é que como a finalidade é reequilibrar o organismo e atuar na causa do problema, os resultados do tratamento podem demorar um pouco mais para serem notados. Estamos habituados a ver efeitos imediatos das drogas. Quem irá determinar a velocidade de cura é a capacidade do organismo em recuperar-se do problema que o acomete.

Alergias em cães e gatos são casos clássicos onde a homeopatia é a medicina de eleição.

 

P.daVila: Qual é o efeito terapêutico da convivência com cães e gatos?

Regina Motta: Bicho é tudo de bom ! Isto já sabemos. Mas tem mais: inúmeras pesquisas demonstram os benefícios provenientes da companhia de pets. Estudos recentes feitos na Inglaterra, afirmam que pessoas que têm gatos em casa, têm 41% menos probabilidades de desenvolverem  problemas cardíacos . Afagar um cão ajuda a baixar a pressão sanguínea em hipertensos.

Um outro estudo concluiu que pacientes com câncer de mama que possuíam algum pet seguiam com mais rigor o tratamento e assim aumentavam suas chances de cura. A explicação é simples : Elas precisavam continuar vivas para cuidarem de seus animais.

A Pet Terapia é hoje largamente difundida no mundo inteiro. Cães, gatos , tartarugas, coelhos entre outros pets, são levados à hospitais e asilos , contribuindo assim no tratamento e recuperação de pacientes.

Atendo vários cães cujos proprietários me contaram que adquiriram o animal para ajudá-los na recuperação da síndrome do pânico. Os cães , explicam eles, propiciam a sensação de proteção e segurança, mesmo que seja um pequenino Yorkshire. A simbologia do cão como guarda e defensor da casa é muito importante em nossa cultura, explicam os terapeutas.

 

P.daVila: Até que ponto é saudável tratarmos nosso pet como um ser humano?

Regina Motta: Acredito que acima de tudo, devemos respeitar a natureza de cada animal. Um cão é um cão, que é diferente de um gato ou de um coelho. Sabemos que o mundo e as espécies estão em constante evolução e que a proximidade com o homem, ou seja, a domesticação, produziu e produz modificações no comportamento de diversos animais.

Desde que o cão foi convidado a entrar em nossas casas, dormir em nossas camas, foi automaticamente promovido a um membro da família. Mas qual seria seu parentesco ? Devido á sua personalidade brincalhona e carente, rapidamente garantiu o papel de “filho” em grande parte das famílias. Isto é loucura, exagero? Não devemos julgar ninguém, mas sim assegurar um saudável desenvolvimento psíquico a nossos melhores amigos. Bom senso é fundamental. Muitas vezes, as melhores intenções e over doses de carinho podem ser prejudiciais a um animal. Devemos sempre estimular ou mesmo resgatar instintos próprios de cada espécie.  O mundo dos animais não deve se resumir única e exclusivamente à presença ou ausência de seu dono. Eles devem  saber ficar sozinhos em casa quando necessário sem que este fato lhes traga sofrimento. Eles precisam desempenhar alguma função como tomar conta da casa, farejar durante o passeio ou mesmo praticar algum esporte como caminhada ou agility. Um cão entediado e ansioso pode desenvolver uma série de problemas, sendo o mais comum deles a lambedura compulsiva das patas.

Estimule seu gato a “caçar” modificando o lugar onde é colocado seu potinho de comida. Na natureza a presa nunca está sempre no mesmo lugar esperando pelo predador. Esta simples modificação na rotina do gato irá estimulá-lo a se movimentar e sair do sedentarismo.

Ame muito seu cão ou seu gato, permita que eles sejam o que realmente são : filhos de quatro patas !

 

P.daVila: Como vivenciar a perda de um animal querido?

Regina Motta: O tempo de vida de nossos pets é infelizmente bem menor do que o nosso. E, um dia chega a hora da despedida.

Cada um lida com a situação à sua maneira. Alguns juram que nunca mais terão nenhum bicho para não se apegarem e outros procuram rapidamente um novo amigo. Só o tempo pode ajudar neste processo. Aos poucos a tristeza vai dando lugar à uma suave saudade, recheada de lembranças dos bons momentos vividos juntos.

Na hora de escolher um novo companheiro, não procure por um substituto, mesmo que a clonagem torne-se uma  realidade, dificilmente teremos nosso amigo de volta. Inicie um novo ciclo, abra uma nova vaga em seu coração e as boas surpresas chegarão !

 

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